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Na sala com Shumyara


Pedofilia

Ela tinha nove ou dez anos, era uma menina espivitada, faladeira, adorava dançar e representar, tinha um jeito timido que não durava muitos minutos, adorava abraçar as pessoas e não tinha nenhum medo em demonstrar seus sentimentos, acreditava que o melhor remédio para os males da vida era sorrir.

Tudo isso mudou naquela tarde de domingo. Em momento algum ela desconfiou das intenções dele, nem tinha por que desconfiar, ele era amigo da familia, tinha por ele um imenso carinho e o respeitava como um tio querido. Foi com satisfação que aceitou o convite dele para fechar as portas da casa enquanto ele soltava a cachorra. Ele entrou na frente e começou a fechar as janelas da sala, falou para ela sentar no sofá, mas uma voz gritou dentro da cabeça dela e por algum motivo, ela permaneceu imóvel na soleira da porta, foi com enorme surpresa que ela o viu desabotoar a calça e pedir que segura-se seu membro, enquanto ele lhe ensinaria como ser uma mulher de verdade.

Um misto de nojo e susto tomou conta dela, sentia naúseas e seu corpo parecia pesar toneladas. Olhava para o rosto daquele homem inconformada e antes que ele conseguisse lhe abraçar, ela saiu correndo como se um par de asas fizesse parte dos seus pés. Chegou ao lado de seus pais com os olhos arregalados e completamente ofegante, sua mãe perguntou o que tinha acontecido,  abaixou os olhos e disse à mãe que estava tudo bem.

As palavras ficaram presa na sua garganta. Na hora uma serie de imagens surgiu na sua frente, tinha medo que seu pai fosse tomar sastifações e acabasse comentendo um crime, sabia do amor que seus pais tinham pelos filho. Ao mesmo tempo sentia-se culpada, do alto de seus nove anos achava que a culpa tinha sido dela, talvés se não fosse tão falante, tão alegre, ele não tivesse agido de tal forma e pensando ser esse o motivo de tal ato, ela mudou suas atitudes. Todos estranharam, a menina antes alegre cedeu espaço para uma mulher controlada, introspectiva, timida, que não conseguia confiar nas pessoas e procurava manter todos a distancia, principalmente os homens. A mãe perguntou várias vezes o que estava acontecendo e a resposta continuava a mesma. Nada. Muitos acreditavam ser efeito da adolescencia e por conta disso, o assunto foi deixado de lado.

Os pais por mistérios da vida, acabaram por se afastar daquela casa e todas as noites ela rezava pedindo para esquecer aquela tarde de domingo. Seis anos depois o seu segredo veio a tona, numa conversa informal com o marido da tia, escutou surpresa a seguinte pergunta:

- Lembro quando você era criança, super risonha, espalhava alegria e de um dia para o outro mudou. No lugar da menina surgiu uma mulher madura que aos poucos contruiu uma fortaleza, vive cercada por pessoas que te amam e cada vez que alguém tenta escalar as paredes, você vai lá e sobe mais uma fileira de tijolos. Hoje você está presa lá dentro e vai morrer sem ar se continuar assim. Você pode não querer me contar o motivo, mas sei que alguma coisa aconteceu para você se martirizar a tantos anos.

- Como você sabe?

- Porque fiz isso durante muitos anos, porém você é mais inteligente do que eu fui. Você se afundou no meio de livros, afastou as pessoas de você, amadureceu antes da hora. Eu me afundei nas drogas e estaria lá até hoje se não tivesse visto um amigo morrer ao meu lado, logo depois de injetar droga no corpo.

As lágrimas descerram pela face, um choro aprisionado, sofrido por muitos anos. Alguns dias depois contou aos pais e aos irmãos o que tinha acontecido. A tristeza nua e crua foi vista nos olhos daqueles que ela tanto amava e uma única pergunta foi feita por sua mãe:

- Porque você não contou antes?

Foi dificil para eles entenderem, principalmente por sempre falarem de tudo, o dialogo sempre foi o ponto forte da familia. Era assustador para eles saberem que ela tinha medo, que não queria correr o risco de ver o pai preso e por se sentir culpada. Começou naquela noite o processo de cicatrização e retomada da vida. A familia inteira mudou depois dessa declaração, se antes eles eram unidos depois dessa revelação passaram a ser mais ainda e o amor é desmontrado em todas as formas.

Muita coisa mudou na vida dela, continua olhando as pessoas com desconfiança, mas sempre dá um voto de confiança. Continua tímida, mas conseguiu ressuscitar muito da menina de outrora. Convive com a mulher madura e a criança arteira. A cicatriz está fechada, mas a marca continua ali como lembrança de um epsódio triste de sua vida.

*****************

Essa história tem feito morada nos meus pensamentos desde o dia que vi as cenas da novela da Globo. Vivi isso da pior forma possível. Sinto pena das pessoas que passaram pela minha vida durante aqueles seis anos, não era nada fácil se aproximar, magoei sem querer muitos rapazes fantásticos, mas era muito dificil para mim confiar. Passei a adolescencia lendo pilhas e pilhas de livros procurando nas páginas a solução para o pedaço da minha vida que tinha sido dilacerado.

Vou ser eternamente grata ao meu Tio Walter por ter sido iluminado aquela noite, se não fosse por ele, com certeza eu jamais estaria escrevendo essa história, muito menos os textos eróticos que coloco de vez em quando aqui no blog...rs

Fico feliz pela mídia estar alertando as pessoas e espero que essas histórias de pedofilia acabem, que as nossas crianças possam cultivar a inocência da infância.



 Escrito por Shumyara às 20h23
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Sexta vermelha

Amor ou paixão, não sei.

Loucura ou realidade, não me importa.

 Meu corpo queima ao seu toque,

Seja esperado ou ao acaso.

Aprisiono meu pensamento.

Em suas mãos me desfaço em mil,

Enquanto os lábios te esperam,

Meu querer não tem limites.

Entre o céu e o inferno,

Fico com você,

Na busca plena do prazer!

*************************************

 Olha o presente que ganhei do querido Dácio.

(as letras maiúsculas, foram extraidas do meu post de segunda-feira)!

Pois em MAIO às DEZ horas de um SÁBADO vindo de SATURNO num CAVALO alado deixaria no mar o MARINHO. Iria bem ao SUL do Brasil, com sua LUXÚRIA, SININHO como guia, e derramaria algumas gotas de CHAMPANHA numa ORQUÍDEA, como se fosse em plena PRIMAVERA, sob o AZUL do céu, molhando ali a UVA oculta para depois secá-la ao VENTO, ao som do murmúrio PICANTE da CACHOEIRA que reflete a RÓSEA ESPERANÇA de voltando sentar-me um dia, de verdade em sua ALMOFADA, e olhar o l3 com RISADA pelas brincadeiras de MAGALI, mãos no VIOLONCELO, de sua cordas liberando em PRATA toda a nossa LIBERDADE

****naturalmente com beijos mil.
Dácio

********************************

E ganhei presente da Loba-mãe

 

na busca do prazer

 vale tudo

 cânticos celestiais

 brasas infernais

 infernos zodiacais

 o que não vale

 é deixar a Shu sem parceria

quando ela se veste de vermelho

e arrasa na poesia!

 



 Escrito por Shumyara às 20h20
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O vizinho

Vocês já notaram a minha fascinação por janelas, não é? Sempre gostei de ver as gotas da chuva escorrendo pelo vidro ou a sombra das folhas montando imagens na minha cabeça. O que me encanta mesmo é a possibilidade de descobrir um mundo cheio de mistérios através daquele quadrado e nos últimos tempos tenho me surpreendido com as imagens.

 

Dias atrás, numa dessas madrugadas de inverno-verão, fui acometida por uma belíssima crise de insônia, daquelas que você não consegue ficar deitada na cama. Resolvi perambular pela casa, na TV não tinha nada interessante, peguei o livro para ler e a cabeça só queria saber de voar. Lembrei da receita básica da minha avó, uma bela caneca de leite morno. De caneca na mão fui até a janela da área de serviço e a imagem que vi do outro lado do prédio quase fez a minha caneca despencar.

 

Um dos meus vizinhos estava fazendo exercícios em frente à janela da sala completamente nu, exatamente isso, nuzinho da silva ou melhor com a única roupa que veio ao mundo. Com os pesos nas mãos os braços subiam e desciam, ao mesmo tempo em que as pernas permaneciam flexionadas, apesar de ser um homem de meia idade, confesso que ele continua com tudo em cima (quase tudo). A cena ia do cômico ao erótico. Nessas horas agradeço não sofrer com de miopia e me arrependo de não ter um binóculo, para poder analisar todos os detalhes e julgar todos os requisitos. Fiquei pensando o que levou o dito cujo, a fazer a série de exercícios em frente à janela. Seria uma crise de insônia? Será que ele é metrosexual? Será que sofre de carência? Só sei dizer que o meu sono chegou e eu fui para a cama dormir feito anjo (??).

 

E essa não foi a primeira vez que surpreendi o vizinho assim, tão à vontade, logo que mudei para o prédio. Numa noite enquanto tirava a roupa do varal, deparei com ele passando roupa numa total intimidade com o ferro e a tábua de passar e novamente livre de trajes.

 

O mais instigante nele é que durante o dia ele passa uma imagem tão séria, típica de militares prestes a entrar em combate. Eu jamais poderia supor que ele tivesse esses hábitos naturalistas.

 

Agora, fico pensando qual será a próxima performance do gajo???

Alguém arrisca um palpite???



 Escrito por Shumyara às 10h14
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Se eu fosse...

Recebi da Sonia - do Perólas de Peróla esse texto-questionário e resolvi colocar aqui as respostas

(adoro esses posts quebra-galho)...rs

Beijus

**********************

 

Se eu fosse um Mês seria:  Maio

Se eu fosse um Dia da Semana seria:  Sábado

Se eu fosse uma hora do dia seria:  10h
Se eu fosse um planeta seria:  Saturno
Se eu fosse um animal seria:  Cavalo
Se eu fosse um animal marinho seria:  Cavalo Marinho
Se eu fosse um ponto cardeal seria:  Sul

Se eu fosse um pecado seria:  Luxúria
Se eu fosse uma personagem mística seria:  Sininho (do Peter Pan) 
Se eu fosse um liquido seria:  Champagner
Se eu fosse uma flor seria:  Orquídea
Se eu fosse uma estação do ano seria:  Primavera
Se eu fosse uma cor seria:  Azul

Se eu fosse um fruto seria:  Uva

Se eu fosse uma música seria:  Vento (na voz da Ivete Sangalo)

Se eu fosse um filme seria dirigido por:  Bruno Barreto

Se eu fosse um local seria:  Cachoeira

Se eu fosse um sabor seria:  Picante
Se eu fosse um cheiro seria:  Rosa
Se eu fosse um sentimento seria:  Esperança

Se eu fosse um objeto seria:  Almofada
Se eu fosse uma expressão facial seria:  Olhar
Se eu fosse um número seria:  13

Se eu fosse um som seria:  risada

Se eu fosse um cartoon seria:  Magali (Turma da Monica)

Se eu fosse uma parte do corpo humano seria:  Mãos
Se eu fosse um instrumento musical seria:  Violão Celo
Se eu fosse um elemento químico seria:  Ag

Se eu fosse uma palavra seria:  Liberdade



 Escrito por Shumyara às 13h58
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Anjo da Guarda

A visão externa muda com a velocidade dos cometas, mais ainda te mostra forte como o rochedo, aparência sólida que faz com que alguns pensem que tu sejas capaz de suportar as mais duras pancadas do tempo.

O olhar demonstra a maturidade imposta pelos anos vividos, pelas experiências divididas, ao tempo em que conserva lá no fundo, o mesmo brilho maroto de outras épocas. Épocas em que a única preocupação era decidir qual seria a próxima brincadeira.

Entre os fios (antes) castanhos, hoje pode-se ver alguns fios claros, tão claros quanto o branco, anunciando que a vida está seguindo o seu curso.

No rosto tens as marcas do conhecimento, não se preocupe elas ainda são sutis, mas estão lá como lembrança do caminho percorrido.

Enquanto que lá dentro onde somente você consegue olhar, tudo continua como antes, os sonhos ainda habitam aquele coração que bate forte, sem dar trelas para as adversidades do mundo externo.

A esperança continua sendo testada como os segundos dentro dos minutos.

A fé, bom, essa teve que ser resgatada inúmeras vezes e agora segue ao seu lado como uma companheira presente e que respeita o seu espaço privativo.

O amor, esse sempre foi seu preferido. Mesmo sofrendo, você continua acariciando todas as suas vontades e nem se importa mais com os tropeços que este lhe impõe. Aprendeu duramente que ele não precisa de compreensão, deves apenas senti-lo em toda a sua intensidade.

Dentro de você existe um imenso labirinto, cheio de caminhos a serem desvendados e com paciência você irá percorrer cada um deles, mas lembre-se, todos há seu tempo. O mistério faz parte da sua essência, por isso não tenha pressa, percorra cada centímetro com a certeza de ter aproveitado toda a seiva existente.

Agora durma, descanse bastante, porque amanhã será um outro dia, cheio de novidades, cheio de possibilidades, cheio de aventuras e você precisa estar preparada para desfrutar tudo que a vida irá te oferecer.

Estarei sempre aqui, olhando por você e te orientando no que puder, afinal sou teu anjo da guarda e essa é a minha missão.



 Escrito por Shumyara às 21h09
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Perfumes

 

O calor vaporiza o suor da sua pele,

O seu perfume impregna no meu corpo,

Do cítrico ao amadeirado,

fico com o cheiro do sexo espalhado pelo quarto.

*****

Ganhei do D. Lê, o gajo mais cobiçado lá do Sol da Manhã, a corrente do perfume. Confiram minhas respostas:

1 – Quantos perfumes você tem?

Sou apaixonada por um em especial e de tão especial que é, só tem uma única loja aqui na cidade que vende o dito cujo, portanto acho que ele é quase exclusivo...rs, chama Fujiyama. Mas o perfume dele sobre a minha pele varia conforme a situação, momento ou necessidade.

 

2 – Usa todos?

Sou chata com perfumes, gosto de perfumes suaves, ou seja os mais discretos possíveis, mas eles têm que dizer algo a minha alma, por isso evito grandes variações.

 

3 – Doce ou cítrico?

Prefiro os amadeirados, acho que os doces são frescos por demais e não combinam em nada comigo, gosto de alguns cítricos desde que a fragrância não seja muito forte.

 

4 – Masculino ou feminino?

Até hoje não achei um perfume feminino que fosse tão bom quanto os masculinos. Sou fã deles e principalmente quando estão na pele de um atraente gajo!

 

5 – Quais foram os dois últimos que você comprou?

Vixe, faz muitos anos que não compro perfume, geralmente ganho de presente. O que costumo comprar são os óleos de banho, adoro o Trifásico de Maracujá, da Natura e o Honey Milk, do Boticário.

 

6 – Cinco pessoas cheirosinhas para passar a batata/missão?

Leve o cheiro, quem quiser!

 

*****

 

Já que estou falando de perfumes, cheiros e afins.

Gostaria de saber quais são os seus cheiros, perfumes, aromas preferidos? 

 



 Escrito por Shumyara às 09h46
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Doida ou alma de palhaço?

Reunião familiar no sábado, muitos assuntos acumulados, sonhos na fila de espera para a reta da realidade, problemas de sempre e diversos deles sem a menor possibilidade de resolução (pelo menos nessa vida)!

A campainha tocou e escutei a risada sonora da minha vizinha. Sabe aquelas pessoas que mesmo tristes estão rindo?  Parece que se não rirem elas morrem? Pois então, essa vizinha é uma dessas pessoas.

Entrou sem fazer cerimônia e foi se aconchegando no sofá. A conversa rolou por todos os lados e por assuntos variados e não sei como foi parar na narrativa do último Amigo Secreto (Amigo Oculto, se preferirem) na empresa em que ela trabalha.

Foi pedido aos participantes que escolhecem duas possibilidades de presentes, minha vizinha escreveu na lista de opções: Uma bolsa ou um CD da Elza Soares.

Começou ai o drama da amiga secreta.

Minha vizinha não sabia o nome do CD, só sabia que tinha sido lançado a pouco tempo e que tinha uma música que ela havia gostado muito (ouviu a música num comercial da TV), mas não sabia o nome!

A tal amiga secreta, rodou todos os shoppings e lojas especializadas da cidade atrás do tal CD e só o encontrou numa loja no centro da cidade, isso na véspera da revelação.

Na hora da troca de presentes, minha vizinha recebeu o CD com muita alegria, ela realmente havia gostado da música. Ao abrir o embrulho, ficou admirada com a foto de capa da cantora e chegou a comentar com algumas pessoas:

- Não sabia que a Elza Soares estava tão magra assim. Será que essa foto era de sua mocidade?

As pessoas não entenderam nada, muito menos o seu marido. Ao chegarem em casa o marido tornou:

- Você pediu esse CD de presente, mesmo?

- Sim, Amor!

- Mas você nunca gostou da Elza Soares.

- Como não, Amor? Outro dia vimos ela na TV e te falei da belíssima música que ela estava cantando. Só acho estranho ela estar tão magra nessa foto, nunca a vi tão magra, será que ela fez cirurgia do estômago?

- Amor, aquela cantora que você me mostrou era a Alcione. Você pediu o CD errado.

-

Foi o suficiente para a minha vizinha rir feito doida por mais de 10 minutos. E a risada continuou no dia seguinte ao contar a amiga, que havia escrito Elza Soares, pensando na Alcione.

******

Essa vizinha é doida de tudo, mas que leva consigo o coração cheio de carisma e alegria, ao ponto de contagiar todas as pessoas ao seu redor e deixar o ambiente na mais completa harmonia! E não pense que a vida dela é fácil, porque não é, e nunca foi. Ela simplesmente fala que rindo consegue fazer com que seus problemas sejam um pouco mais facéis de carregar.

Beijus a todos!



 Escrito por Shumyara às 10h49
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Sotão

Quinta-feira: (Tudo corria bem, até que):

- Amorzão, vou viajar esse final de semana com alguns amigos. Será uma trilha, passaremos o final de semana no meio do mato, iremos acampar e comer o que conseguirmos achar, por esse motivo, iremos só os homens.

- Ahm, só os homens? Um final de semana no melhor estilo "Lobinho"?

- Isso mesmo, amorzão. Sabe, nós homens, precisamos exercitar o nosso instinto primitivo de vez em quando, precisamos disso no mundo coorporativo, você entende não é?

- Claro, faça uma boa viagem!

Domingo: (Intuição preventiva, cada um tem o que merece):

- Amorzão, tô super cansando, essa trilha foi de matar. Vou tomar um banho e já conversamos.

Ao desfazer a mochila do marido, sua suspeita tornou-se realidade. Dentro de uma sacola com restos de comida, estavam as camisinhas, usadas. Mas o sentimento dentro do seu corpo não era de raiva e por isso deixou tudo sobre a cama. Olhou para sua imagem refletida no espelho e pensou: - A vida é cheia de mistérios e eu sou agradecida a minha doce intuição.

- Amorzão, o que você fez no final de semana? Liguei para casa no sábado a noite e ninguém atendeu.

"....Acordei super disposta e resolvi fazer uma caminhada pelo bosque. Durante o percusso pisei em falso e o tombo seria certo se um braço musculoso não tivesse me segurado. Ao erguer os olhos para agradecer a ajuda, minha respiração sumiu e o coração descompassou. Os anos não haviam mudado em nada aquele rosto, o sorriso maroto continuava iluminando aquele semblante, os olhos escuros olhavam com a mesma intensidade de outros tempos. Dez anos sem ver aquele homem e ele continua mexendo com meus instintos mais primitivos. Entregamo-nos a uma longa conversa e nem vimos a hora passar, a tarde chegou e não pensei duas vezes antes de aceitar o convite conhecer a casa dele que estava sendo reformada, a poucos metros dali. O sol foi embora e deixou no céu os seus raios alaranjados e quando a brisa suave da noite entrou pela janela entreaberta um arrepio percorreu o meu corpo me despertando. Ergui a cabeça do peito daquele homem e admirei o corpo másculo dele estirado no chão e não pude deixar de pensar no que teria sido a minha vida se tivesse aceitado o pedido de casamento dele. Infelizmente nunca o amei, entre nós a paixão era maior. Será que ele teria ido viajar com os amigos e caido na farra com um adolescente? Jamais terei essa resposta. Foi quando ele abriu os olhos, como um felino despertando de seu mundo de preguiça, o sorriso brilhou no meio daquela noite. Percebi que o momento não era de divagações e sim de pecado, de desejos realizados e deixei a razão para trás e me entreguei novamente para aqueles braços convidativos a minha frente. Cheguei em casa com o sol raiando, cansada pela longa caminhada, porém feliz de ter vivido aquele dia de paixão com o homem da minha infância."

- Ahm, sábado a noite? Nada de especial - um suspiro saiu do peito daquela mulher.

- E porque não atendeu o telefone? - gritou ele debaixo do chuveiro. Fiquei com saudades!

- Fiquei boa parte do dia no sotão, revivendo algumas lembranças e emoções! Não ouvi o telefone tocar - respondeu ela, ao mesmo tempo em que um sorriso que brilhou nos lábios!



 Escrito por Shumyara às 18h12
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Você

 

É no seu corpo que encontro o alimento do meu,

No seus lábios busco o refresco para o calor que me queima,

Das suas mãos quero apenas o meu porto seguro,

Ao seu lado vivo apenas o hoje, já que o amanhã está longe da minha urgência;

A vergonha deixei presa na gaveta e quero o simples pecado da carne;

 Nos seus braços encontro a minha tranquilidade, mesmo que seja insana,

Com você materializo o desejo dos meus sonhos,

Entre fugas e encontros, somos apenas eu e você,

Acertando ou errando, é assim que seguimos o nosso caminho!



 Escrito por Shumyara às 17h03
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Preguiça gripal

Mais um final de semana com clima de verão, em pleno inverno. Realmente vivemos numa era de grandes mudanças e elas começam pela própria gripe. Antigamente bastava um chá com aspirina e tudo estava bem, hoje em dia não tem remédio no mundo capaz de segurar essa danada e o pior de tudo é que ela costuma chegar no final de semana e tomar conta da casa sem avisar ou pedir licença!

Você pode até se esforçar para levar a vida de forma normal, mas o entusiasmo dura pouco e seu corpo só quer saber de cama(mesmo quando ele não consegue mais ficar na cama)!

Você tenta assistir um filme, mas os olhos não suportam as luzes coloridas. Dar uma volta? Aonde? Esqueceu que estamos na última semana de férias(graças a Deus), os shoppings estão lotados, consequentemente os cinemas e os restaurantes também, isso quer dizer que o barulho é insuportável. O que fazer? Simples, você pega a sua almofada preferida e senta na janela mais próxima e de lá fica olhando o movimento da avenida (que nunca dorme)!

E lá vai o casal de velhinhos de mãos dadas fazendo a caminhada diária (mesmo de domingo). Do outro lado da rua sobe um casal de namorados adolescentes, inocentes (???), cheios de conversas ao pé do ouvido e risos soltos (humm, lembro bem dessa parte..rs)!

E pela avenida desce o motoqueiro com sindrome de Jesus Cristo em plena ladeira ( o anjo da guarda deve precisar de férias constantes)! A pracinha do outro lado da avenida está cheia de crianças, o balanço sobe, a gangorra desce, do outro lado a fila é grande no escorrega e os pais babões estão lá firme e forte olhando o piquê (inabalável) de seus pimpolhos.

Na rua marginal desce um carro bem devagarinho, da minha janela vejo uma mão perdida no meio da micro-mini-saia dela (ops, alerta! Perigo na área)! Escuto um griteiro sem fim, olho para o lado debaixo da rua e descubro o motivo, é a criançada do condominio do lado, brincando de esconde esconde, é bom saber que as crianças de hoje brincam (com coisas normais)!

O vento muda de direção e sinto o cheiro do pão saindo do forno (quem mandou morar perto da padaria?), alguns minutos depois vejo que outros moradores não resistiram ao cheiro e lá sobe uma pequena caravana em busca do alimento sagrado. Os passarinhos fazem festa nos galhos das árvores e os chamegos continuam por trás das folhas (não sabia que existia timidez entre os pássaros)!

Do outro lado da avenida vagarosamente sobe um velho caminhão carregado de sucata, logo atrás uma fila de carros tentando ultrapassar e o velho caminhão parece não se importar e continua subindo a avenida com seus passos de tartaruga. Enquanto do outro lado, os carros descem numa velocidade sem fim (até a altura do radar) e poucos segundos depois escuto uma freiada e mais outra e por ai vai (acho que alguém perdeu o lanterna)!

Um cachorrinho resolve enfrentar o movimento da avenida e cruza metade do caminho e lá no meio resolve sentir medo, sem saber se vai ou se fica, até que um motorista passa e dispara a buzina (coitado, acho que a buzina disparou o foguete interno)!

O sol anuncia que é hora da população voltar para casa, as luzes são acessas em vários cantos da avenida e lá longe vejo o arranha-céu da cidade grande se iluminar, enquanto aqui na marginal da avenida os ares permancem como nas cidades do interior.

A primeira estrela surge no céu e o ar gelado da noite de inverno entra pela janela avisando que o periodo de xeretice acabou e lá vou eu procurar algo para fazer, algo que não pertube a minha preguiça gripal!



 Escrito por Shumyara às 11h12
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