Conversa fiada
Já ouvi muitas pessoas dizerem que o povo aqui da terrinha, parece ter o rei na barriga, não tiro a razão deles, realmente existem pessoas assim, mas não é a maioria! O povo dessa cidade tem o velho e bom hábito das cidades tipicas do interior, adoram uma conversa fiada, seja na fila do ônibus, do banco, no supermercado, enfim o povo não consegue ficar mais de cinco minutos com o corpo parado para a boca destravar.
Dias atrás eu estava no supermercado na frente da geladeira de congelados, uma senhora aproximou e puxou conversa:
- Nossa hoje só faz comida em casa quem quer.
- Ou quem não tem dinheiro para pagar - respondi sorrindo. Ponto esse foi o pontapé inicial, a velhinha destravou a matraca e contou uma longa história, da época em que as mulheres viviam para o lar, faziam porque achavam que era esse o trabalho de uma mulher que estimava a família. Depois dessa não resisti:
- Realmente, as coisas mudaram, hoje em dia cuido da casa e faço comida, quando e como quero! Não sei até que ponto isso é bom!!! - (A velhinha olhou para mim e sorriu de um jeito que me fez sentir inveja da época dela....rs).
Andei mais alguns metros e dou de topa com um senhor tentando ler o rótulo das embalegens, parecia tão confuso, olhou para mim:
- Você poderia me ajudar? Minha esposa pediu para comprar um sabonete diferente, mas eu não sei o que levar, ela pediu para que eu escolhessem, mas tem com extrato de erva, com hidratante, paa bronzear a pele, com fragância não sei do que....estou zonzo.
- Eu gosto desse daqui, tem um perfume suave, não resseca a pele e nã muito caro. Acho que sua esposa irá gostar! - O senhor sorriu, agradecendo pela ajuda e contanto detalhes de seus relacionamento com a esposa.
Logo a frente no corredor de frutas, encontro uma mulher aparentando ser mais nova do que eu, com três filhos a tiracolo, enquanto ela escolhia as frutas e legumes, escutava a ladainha dos filhos:
- Mãe, não compra tanta verdura!
- Compro sim, verdura faz bem!
- Mas não é gostoso. Posso levar essa bolacha?
- Não, já peguei bolacha suficiente. Pegue dois mamões, não muito maduros.
- Mamão é ruim. Posso levar esse chocolate?
- Pegue o mamão! - Olhou para mim e não pude conter um riso, ela soltou: - Seus filhos fazem assim?
- Não tenho filhos, tava lembrando de quando eu era criança, fazia assim com meus pais.
- Tinha sorte?
- Não! - e caimos na gargalhada.
- Eles são maravilhosos, mas é preciso ter um container de paciência... - A conversa correu solta, enquanto escolhiamos os legumes da banca!
Voltei para casa feliz, no meio desse mundo agitado, ainda encontramos tempo para conversas fiadas.
Escrito por Shumyara às 12h18
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